SERRITA CAPITAL DO VAQUEIRO
À partir do século XVII, os
colonizadores portugueses iniciaram a integração do sertão aos dois centros
econômicos do nordeste-Salvador e Olinda, época do apogeu da cana-de-açúcar com
ampla aceitação nos mercados europeu. Nos campos do interior o objetivo
principal era a criação de bois e cavalos, para o trabalho de engenhos do
litoral e o desenvolvimento das cidades. Em menos de um século estava criado o
mundo que Capistrano de Abreu batizou de civilização do couro.
No século XVIII a Bahia contava com 500 mil cabeças
e Pernambuco com 800 mil. O campo era do gado e dos vaqueiros. Embora inexistam
estatísticas oficiais, as autoridades ligadas ao setor acreditam que não
subsistam mais de 40 mil vaqueiros para cuidar no sertão de um rebanho que não
ultrapassa um milhão de cabeças. Tradicionalmente, os
vaqueiros tem sido pagos pelo regime de quartas ou quintas, ou seja,
para cada quatro ou cinco cabeças uma passa a ser de sua propriedade.
O padre João Câncio criou em
Ainda, reconhecer o vaqueiro perante a previdência social
como uma profissão diferente da do agricultor, visto que somente fazemos
agricultura em determinadas épocas, enquanto que o vaqueiro trabalha os sete
dias da semana, considerando-o como segurado especial, passando a sua
contribuição direta ao INSS, pois assim evitaríamos tanta burocracia, além dos
atravessadores e de grande contribuição a previdência
que vem penalizando o trabalhador urbano em suas reformas e o mais importante,
afastaria de vez as pessoas e entidades que utilizam os benefícios
previdenciários como um favor ou algo para se autopromover.
O povo já tem legitimidade de buscar seus direitos
sem intermediário, como também seria de fato e de direito, o vaqueiro um
trabalhador tido como segurado especial e não como agricultor, como é
atualmente, já que a agricultura é apenas um complemento, pois normalmente eles
não possuem terra e o fazendeiro concede-lhe apenas um pedaço de terra por um
espaço de tempo apenas para comer verde e depois servir de pastagem para os
animais.
Texto:
João Seildo Cecílio Torres