SERRITA CAPITAL DO VAQUEIRO

 

À partir do século XVII, os colonizadores portugueses iniciaram a integração do sertão aos dois centros econômicos do nordeste-Salvador e Olinda, época do apogeu da cana-de-açúcar com ampla aceitação nos mercados europeu. Nos campos do interior o objetivo principal era a criação de bois e cavalos, para o trabalho de engenhos do litoral e o desenvolvimento das cidades. Em menos de um século estava criado o mundo que Capistrano de Abreu batizou de civilização do couro.

No século XVIII a Bahia contava com 500 mil cabeças e Pernambuco com 800 mil. O campo era do gado e dos vaqueiros. Embora inexistam estatísticas oficiais, as autoridades ligadas ao setor acreditam que não subsistam mais de 40 mil vaqueiros para cuidar no sertão de um rebanho que não ultrapassa um milhão de cabeças. Tradicionalmente, os vaqueiros tem sido pagos pelo regime de quartas ou quintas, ou seja, para cada quatro ou cinco cabeças uma passa a ser de sua propriedade.

O padre João Câncio criou em 1971, a Missa do Vaqueiro, tendo sido considerada até o momento a do ano de 2003, que vem crescendo a cada ano. O objetivo maior é oficializar a Cidade de Serrita como a capital do vaqueiro através de seus legítimos representantes: Prefeitura Municipal, Associação dos Vaqueiros, Coral aboios e outros seguimentos da mesma comunhão.

Ainda, reconhecer o vaqueiro perante a previdência social como uma profissão diferente da do agricultor, visto que somente fazemos agricultura em determinadas épocas, enquanto que o vaqueiro trabalha os sete dias da semana, considerando-o como segurado especial, passando a sua contribuição direta ao INSS, pois assim evitaríamos tanta burocracia, além dos atravessadores e de grande contribuição a previdência que vem penalizando o trabalhador urbano em suas reformas e o mais importante, afastaria de vez as pessoas e entidades que utilizam os benefícios previdenciários como um favor ou algo para se autopromover.

O povo já tem legitimidade de buscar seus direitos sem intermediário, como também seria de fato e de direito, o vaqueiro um trabalhador tido como segurado especial e não como agricultor, como é atualmente, já que a agricultura é apenas um complemento, pois normalmente eles não possuem terra e o fazendeiro concede-lhe apenas um pedaço de terra por um espaço de tempo apenas para comer verde e depois servir de pastagem para os animais.

 

Texto:

João Seildo Cecílio Torres